Goodreads (ou: me iludindo em relação aos meus hábitos de leitura)

Comecei a utilizar o Goodreads, um serviço que te permite gerenciar e compartilhar suas leituras com outras pessoas. Por que fazer isso é algo que não sei responder. Sendo bem sincero, ninguém deveria se importar com o que as outras pessoas estão lendo e com o quanto estão lendo. Mas, para além de simplesmente ter um controle das próprias leituras (algo que cada pessoa pode fazer em um caderno pessoal, na privacidade da sua casa), o que o Goodreads estimula é esse comportamento narcisista que nos define atualmente: queremos ser vistos pelos outros - e admirados, se possível.

No meu caso, a vontade de iniciar uma conta no Goodreads veio da constatação de que eu li muito pouco em 2017. Daí imaginei que se eu me colocar uma meta irreal para 2018 e deixar esse progresso público imaginando que alguém se importa com isso (mas claro que ninguém se importa), eu talvez leia um pouco mais do que ano anterior. Isso, olhando com calma, não vai ser muito difícil, é verdade. O problema é que eu tenho a mania de ler muitos livros simultaneamente. Atualmente, por exemplo, estou lendo 14 livros diferentes, alguns deles desde 2016 (acredite, desde 2016). E é aí que eu me perco. No final, talvez eu não leia pouco. Só não leio quase nada até a última página.

Como disse antes, nada disso importa muito. Por que alguém iria querer saber o que eu leio? E por que eu iria querer saber das leituras de outras pessoas? No final, tirando o caso de pessoas próximas que possam se influenciar e indicar livros umas às outras, penso que essas listas de leituras servem apenas para os próprios leitores sentirem que estão progredindo, que estão realizando algo, com uma meta. Pelo menos, é isso que espero com a minha própria lista.